segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O PRETO - A PRETA

O preto é só o preto. A preta é só a preta.
Em determinadas condições foram escravizados
E nessas condições lutou sozinho.

O branco lavou as mãos.
O burguês de sangue, de ouro,
O trabalhador de graxa, das máquinas das indústrias,
O do partido partiu para uma luta bem longínqua,
na Europa.
Chamou o trabalhador do Leste Europeu de camarada.
E deu as costas para o preto, que fora escravizado, no passado.

Quando o preto quebrou as correntes,
Quando a preta quebrou as correntes,
Não mais escravizada olhou pra cima
Olhou pro lado.
E só enxergou pretos
E só enxergou pretas.

O branco lavou as mãos,
De sangue, de graxa das máquinas.

Quando pretos e pretas fizeram rebelião,
ergueu Quilombos
Quilombo cresceu
Quilombo armou, espaço seus.
Seu que não fora só seu:
branco veio; veio indígena; veio judeu.

O preta,
A preta
não lavaram as mãos.

Mas o branco lavou as mãos:
de graxa; de sangue; de ouro; de água benta; do gelo do chá do leste europeu; de cobre;
de papelão; da tinta vermelha que pinta a foice e o martelo; do estupro;
do racismo; da discriminação; do preconceito.

Porque o preto é só o preto. A preta é só a presta.
Que em determinadas condições foram escravizados, foram escravizadas.
E nestas condições lutou sozinho.
E lutamos até hoje ...

Paraíso dos adultos

Uma hora você xinga
E acha que é normal

Outra hora você dá um grito
Acha que merece, é só um gritinho

Depois você sacode
Porque tem que mostrar quem é que manda

Logo após dá um tapinha, um beliscão
aperta a mão, puxa o cabelo para impor respeito

Assim, sempre que se achar desrespeitado
Você dá um tapa, dá uma cintada
Bate com vassoura, coloca de castigo

Você se acha no direito de espancar
Porque você se acha superior

Você enforca, joga pela janela, dá tiro
Dá facada, dá veneno

Humilha, enterra
Porque você se acha superior

Ser criança é padecer no paraíso dos adultos

Está na hora de repensar nossa atitude com a infância ...